terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Algumas histórias de amor têm felizes para sempre.

Eles não casaram entre si, mas casaram. Faz muitos anos que nunca mais disseram que se amavam, mas disseram "Eu te amo" muitas vezes. Até “re”-significaram o que aceitavam como amor.
Sem filhos juntos, mas ambos com um casal, de idades bem distintas. O um dele já conheceu o um dela, rapidamente.
Ainda apreciam a chuva, raramente apreciam no mesmo momento, visto que moram longe. Nunca deixaram de ver o céu, algo que tomaram gosto juntos.
Não foram a nenhum dos lugares, que quando nus na cama, sonhavam em conhecer, mas tem um estranho carinho inconsciente.
Ainda bebem café ao mesmo modo, mas ele raramente.
Ainda são os organizadores de festas, um em cada canto, com frequências de festas muito diferentes.
         Ainda lembram um do outro, de uma maneira que não posso descrever, por ser única para cada um, e diferente entre si. Embora seja curioso saber que algumas vezes sorriem ao lembrar ou a se ver lembrando.
         Não frequentam os mesmos lugares que antigamente; mudaram os gostos musicais. Foram pai e mãe consideravelmente distintos, em famílias distintas, com sonhos familiares diferentes “aqui” e parecidos “ali”.
         Talvez nunca mais se encontrem, talvez um dia sorriam sem perceber, encontrando-se na presença alheia; numa viagem de trabalho ou turismo, ou os dois. Mas sabem que estiveram presentes, em uma certa hora desse grande relógio.

         E sabem que o esbarrão que um dia foi dado - lá no passado - foi diferente, nem melhor nem maior do que os que ocorreram depois. Mas o primeiro, o que mostrou a possibilidade, o que possibilitou o Felizes para Sempre, mesmo que separados.          

sábado, 19 de janeiro de 2013


Rosa dos ventos
Redemoinho vermelho.




Eu passo os braços em volta da sua cintura,
Sussurro, aos risinhos, algo que pensei há alguns segundos.
Os pensamentos são aves mergulhando e peixes voando.
Sinto uma névoa que excita e não amedronta.
Com os lábios, te mordo de carinho.

Descubro que, mesmo que pequeno, esse tempo será infinito.
Ele é único.
Ele me abraça em seus laços,
Cunha e crava novos ares em meus desejos.
e Deixando os seus traços; me dá a direção.
Aprecio esse passo, antes preso.
A prece é de agradecimento.
Precária e preciosa.

A pressa dá passagem a degustação.
O resto do mundo, com medo, perde o “n” e fica mudo,

Para apreciar a perfeição improvisada.

Fecho os olhos; eles concordam que minhas mãos merecem te ver.
Lembro da felicidade líquida, toco sua vida, sua pulsação e seu sorriso.

Remendo meu futuro com a linha que tecemos nessa noite.
Receio estar passando dos limites, mas o paraíso é um jogo de azar.
E eu sempre pagarei a aposta de um sorriso se o prêmio for a vida momentânea.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012


A vela

Ela olha pela janela
As crianças brincando e correndo.
Entre ela e o passado existe vidro e grade.
Um vidro e uma grade instransponíveis.
Ela some de repente, foi mergulhar no que um dia já foi.
Foi se banhar da realidade que lhe desperta.
Foi redimir-se de uma culpa inexistente.
Ela é o que já foi, e nada disso vai mudar.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Relento

O mar não sabe ler
e não se importar em apagar
as coisas que escrevo na areia.

As letras não sabem pra onde
deveriam ir.
E, mesmo assim, não se importam
em serem levadas.

Temperado à sal e sono
o outono segue a tosa.
E se entrosa com a primavera.

Cada flor, caída ou recém chegada,
é uma piscadela.

Tudo vai bem.

Até que o frio eterno congela o calor do momento.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012


Ao nunca deixemos o nada.
À dúvida deixemos a faca.

E a marca cravada será a bússola,
Sempre presente incrustada em sua carne.

Mesmo que pouco a migalha do passado alimentará.
Só a chama do presente pode queimar,

Nada é tentar queimar o amor com uma fotografia da fogueira extinta.
Nada é tentar queimar o amor com fagulhas que ainda não são sopradas pelo vento.

Só o presente aclama, só o presente reclama e só o presente chama pelo seu nome.